Categoria: Poemas

Errado e o Diabo

Venha ver de novo o nascer do Agosto. Venha implorar pelo desprezo do despojo, rotulando as formas cancerígenas de toda tua escória. Mortalha velha, face disforme, consome a droga, vem e dorme. Caminha cão torto, perna manca, peso morto. Corvo negro, lápide vazia, sombra desgraçada esqueça a água fria. Prepare o parto, prepare o luto. […]

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Piercing…

No devaneio que a esperança impõe, fascista, como quem condena ao desejo realizado, num futuro do pretérito passado a imersão de um sonho autista. Se eu pudesse, voltaria de tempo em tempo, como quem na angústia se exalta, invade o palco e toma a frente na ribalta, e se resgata de seu próprio esquecimento. E […]

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Nanquim

Há um vazio entre as páginas daquele longo poema. Na falta de palavras ficamos sem ação. Largamos a pena sobre a mesa. Deixamos a tinta borrar o espaço. Na incompreensão da aleatoriedade das manchas, permitimos o sentido se perder na ausência e no erro. E como num jogo de ligar os pontos, a percepção cria […]

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Existência

Despertenço-me, por não me permitir  preceder minha própria existência. Desconheço-me assim, ao assistir a fútil corrente de obsolescência. Desfaço-me improvável na turba, insignificando a vã autenticidade de uma crença que não perturba ao clamar um pouco de piedade. E nós nos movemos invisíveis, num caminho já muito desgastado por essas criaturas insensíveis que a cada […]

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Lápide

Esculpi no horror de meu sono, a teia imunda de minha fome. Num sublime escarro noturno de minha paz, acordei velado pela alma negra de um intruso. De pé ao lado da cama morta, tal como estátua numa lápide torta, o vulto diabólico carregou minha fé desmembrada. Alimentou-se de minha esperança já consumada. E como numa possessão acordei […]

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O Louco

Seu eu pudesse em  palavras formular em síntese toda essa tormenta que incendeia cada pensamento exaltado de minha alma, que palavras eu inventaria? Que valsas meus pincéis dançariam na ilustração de teu retrato não-falado? Que gestos meus sentidos perderiam no calor de uma vertigem? Que expressões estamparia na epiderme de meu velho crânio? Inventaria nomes […]

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Erga-te

Erga-te onipresente, onipotente, diante da clamação do desafio.Agrupe cada molécula na intendência ritmada de tua forja ecrie na perpétua luz desse divino fogo roubado a espada nova,que erguerás contra a descrença imposta pelo medo.

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Vastidão…

Reconheço a vastidão de minha distância, declamada na translúcida ausência de sorrisos. Culpo a história triste que não narro, tatuada na vergonha de minha fome. Essa ansiedade reprimida, doentia que te olha na chegada mas não te vê na despedida, desfere a lâmina de olhares rápidos como um sabre afiado na curiosidade, que te persegue […]

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Abdução

Quero silenciar tua voz, cobrir tua boca infame com meu pecado, derramando as lágrimas condenadas de vidas rejeitadas. Violarei tua face pálida de luz angelical com a deformidade de meu satanismo, as impurezas de meus pensamentos manobrando os golpes de minha carne. De teu orgulho arrancarei aos dentes, de minha fome, toda sede de teu […]

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7 Pecados & 7 Virtudes

leia ouvindo: Tito & Tarantula – After Dark:   Invejo o sol que te cega e te cora a face. Cobiço a textura anêmica de tua pele e o gosto de café em teu beijo. Guardaria escondido, só para meu prazer, o suor de tuas pernas. E me gabaria, diante deste mundo que odeio, da […]

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